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LUIS MARVÃO – VIAGEM AO ORIENTE II (Mumbai)

Prometido é devido e cá vamos dar uma volta pela India e pelo meu primeiro destino que foi  Mumbai e com todas as dificuldades normais, neste tipo de viagens, a começar pela língua “Do you speak english?”. Se calhar não!

Depois de uma viagem, muito demorada, até ao Dubai e do Dubai até Mumbai, chegámos à India. Sem qualquer preparação para o que aí vinha, sem qualquer expectativa, apenas com disponibilidade para ver o que era para ser visto e para explorar.

Mal chegámos, encontrámos a primeira dificuldade: arranjar alguém que percebesse inglês e pudesse dar algumas informações.

Mas não ficou por aqui, descobrir onde apanhar um táxi para chegarmos ao Hotel que tínhamos reservado na Internet, também foi um desafio.

Lá entrámos elevador que nos levou a uma “praça”, por assim dizer, com imensos táxis com aspecto de terem uns 20 anos e entrámos logo no primeiro da fila que nos disse por linguagem gestual que sabia onde era o Hotel que procurávamos, porque inglês era mentira.

Quando saímos do aeroporto e entrámos na autoestrada, o barulho era ensurdecedor. Uma auto-estrada com 4 ou 5 faixas que no meio de muitos apitos e buzinadelas dava para 8 carros, no meio de um autentico caos no trânsito.

Este choque sonoro é impressionante, pois os Indianos conduzem com a buzina, para avisarem os outros carros que estão nas proximidades. Por aqui havia de ser giro!….Passado uns dias acabamos por nos habituar!

Portanto, em menos de 10 minutos, deu para perceber que estávamos num lugar totalmente diferente, não só pelo clima, como pelo som ensurdecedor das buzinas. Mas, o transito deu-nos a possibilidade de ver com maior atenção os sítios por onde passávamos e alguns detalhes interessantes.

Conseguimos ver senhoras e crianças a vender no meio da auto-estrada, conseguimos perceber o tipo de construção que existia, ver alguns bairros melhores e outros parecidos com favelas e, acima de tudo, começámos a tentar imaginar como seria a vida de algumas pessoas e como poderíamos ajudar.

E digo que esta viagem deu para fazer estas coisas todas, porque durou 1 hora e meia, já que afinal, o nosso taxista não sabia onde era o Hotel e quando finalmente chegámos, surpresa! Não tinham aquele quarto para nós e que iriamos para um Hotel parceiro deles. No fundo, uma chegada de sonho!

Mal conseguimos tratar destas burocracias, saímos à rua para perceber o que era estar numa das maiores cidades deste país gigante e o primeiro sentido a ficar em alerta foi o olfacto, porque só sentíamos o cheiro a esgoto, a podre e a poluição, amenizado por alguns passeios com restaurantes que transbordavam especiarias pelo ar.

Parámos num desses restaurantes e pedimos algo sem picante e com pouco molho, porque só tínhamos ouvido histórias de estragar as férias devido à condimentada gastronomia indiana e não arriscámos.

Mesmo não arriscando conseguimos seduzir o nosso paladar com o excelente pão indiano, o Naan. Comemos o Garlic Naan e o Cheese Naan, uma excelente entrada. Para prato principal o tradicional caril de frango com pouco molho e o excelente butter rice.  De barriga cheia fomos à descoberta.

No caminho para a Gate of India, fomos parados por imensas crianças e mulheres a pedir dinheiro e outros bens essenciais. Depois desta caminhada no meio do caos do transito, de pessoas e de sujidade na rua, chegámos ao monumento Gate of India, um arco do triunfo para comemorar a visita do Rei Jorge V do Reino Unido no inicio do séc.XX e foi aqui que nos apercebemos da grandeza da arquitectura indiana, da escala das coisas, de como o Homem fica tão pequeno perante uma obra destas.

Tendo isso em conta comecei a colocar a minha mão nestas obras para sentir as texturas dos materiais e a escala. O trabalho ao pormenor da pedra de uma maneira totalmente diferente da nossa, mas também excelente e incrível.

Logo ali ao lado, estava o fantástico Taj Mahal Palace, com tudo o que impressiona na arquitectura indiana: cor, texturas, materiais, luz. Quando entrámos na zona da piscina e jardim exteriores parecia outro mundo, um mundo sem buzinas, sem transito, sem pessoas e com o som de passarinhos. Parecia que tínhamos entrado noutra dimensão!

É neste Hotel que ficam as personalidades internacionais que vêm a Mumbai e que bem que ficam, porque, realmente, é o paraíso no meio desta cidade, aconselho vivamente a visita.

Depois disto tivemos imensos episódios em Mumbai que davam para escrever um livro mas há que seguir em frente, o livro fica para outra ocasião. Seguimos em frente com a certeza de que neste país de constrastes, em que tudo pode ser tão belo ou tão miserável, é preciso estar completamente disponível para se conseguir assimilar tudo.

Na próxima semana vamos visitar Agra. Uma aventura de 20 horas de comboio….Relaxem porque a viagem, diria eu, vai ser um pouco cansativa!

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