Actor Cult

Uma Vida de Actor: Ser ou não Ser, eis a Questão!

Se a vida de actor fosse um quadro seria uma obra contínua.

É muito comum pensar-se nesta profissão como carreira, às vezes porque realmente se tem vocação, outras vezes pela fama e glamour associado e que as pessoas acham que faz parte do pacote da vida artística.Outras ainda, por pensarem que esta é uma profissão simples e divertida. Não existe coisa mais errada.

Começando pelo fim, profissão simples e divertida? De simples não tem nada!

É uma profissão extremamente complexa, onde articulamos conhecimentos técnicos, com emoções e sensações. Somos ao mesmo tempo filósofos das emoções, porque pensamos nas relações humanas, no valor das palavras, na reação do outro, uma procura incessante para encontrarmos novas características na nossa personagem ou a aprofundar o conhecimento sobre ela. 

Quanto ao facto de ser uma profissão divertida, só o começa a ser depois de muito trabalho, ensaio e de termos a personagem bem “agarrada”. Só depois do barco começar a andar, é que podemos divertir-nos no caminho, até lá é uma luta connosco e com a personagem.

A ilusão da fama e do glamour do mundo artístico, é algo que pode acontecer ou não, é algo que acontece a muito poucos. Por isso, este não deve ser um motivo para a escolha desta profissão. Agora, se sentirmos que estar em palco, contar uma história, passar uma mensagem a alguém é o que nos faz mais feliz, então, é isso que temos de seguir.
E é preciso estar sempre a nutrir esta paixão, porque a vida de actor é muito instável, quer em termos pessoais, emocionais, quer económicos. Portanto sem esta paixão imensa pelo trabalho de actor, não será fácil ultrapassar alguns obstáculos que estarão sempre a aparecer.

Eu estou no inicio da minha formação, enquanto actor, e é através desta experiência de inicio de carreira que falo deste tema tão abrangente e tão profundo.  Realmente, não existe uma fórmula mágica para nos tornarmos atores.

Não basta apenas ter boa formação e talento, é preciso ter um histórico recheado de boas histórias, muita bagagem para poder criar e viver as personagens, muita imaginação. É preciso ter muita sorte e um timing exímio, para conseguirmos estar naquele sitio, para aquela audição e ficarmos com aquele papel que nos pode dar uma voz, não a nós mas ao nosso trabalho.

Ser ouvido, é o melhor elogio que podemos ter de alguém, ouvido verdadeiramente porque isso significa que conseguimos chegar a alguém, o que é fascinante, porque nos dá a melhor sensação do mundo: a do dever cumprido. Todo o ensaio que fizemos resultou e nisto este trabalho é muito preciso. Ou chega às pessoas, ou não. Chega a ser cruel!

E quando chega, como diz a minha Professora Sofia de Portugal, é incrível porque sentimos o nosso coração a bater, ao mesmo tempo que o coração do público, as nossas dores passam a ser as dores do público e estamos a viver aquela personagem com a energia de uma plateia inteira.

Para terminar faço um apelo, vamos apoiar o teatro, vamos procurar esse bem essencial e que tanto pode trazer à nossa vida, para que esta profissão e todas as profissões que estão ligadas ao mundo do espectáculo, como os autores, encenadores, dramaturgos, técnicos de som, luz, vários assistentes de cena, figurinistas, todas essas pessoas possam continuar a sobreviver, a inspirar-nos e a, talvez, mudar a nossa vida!

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*