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Luis Marvão: Viagem ao Oriente IV (FATEHPUR SIKRI -JAIPUR -JODHPUR)

FATEHPUR SIKRI

O nosso guia disse-nos que seria muito interessante conhecermos um lugar perto de Agra chamado Fatehpur Sikri e realmente estava completamente certo.

Fatehpur Sikri foi construída no século XVI e passados 14 anos da sua construção, acabou por ser abandonada por falta de água. Em 1568, o Imperador Akbar não tinha herdeiros que o substituíssem e foi à procura de ajuda mística, com Shaikh Salim Chisti, que morava na vila de Sikri. A profecia do santo veio a confirmar-se e nasceu o primeiro dos três sucessores do imperador. O túmulo do Imperador continua nesta cidade e é um lugar de culto, onde as pessoas pedem os seus desejos e oferecem lenços de várias cores ao Santo, criando um efeito incrivel de cores.

Aqui sim tivemos a nossa primeira experiência sagrada: descalçamo-nos e passámos por uma porta grande toda forrada de arenito vermelho, um material característico daquela zona. Após passarmos essa porta e aquele arco do triunfo, deparámo-nos com um pátio lindo, limitado pelos edifícios vermelhos, com um pavilhão em mármore branco no centro, um espelho de água e uma árvore. Um lugar com uma poética incrivel.

No pátio, perto do pavilhão, vemos alguns túmulos de pessoas desta civilização, homens a céu aberto e mulheres no interior. Fizémos o ritual de homenagem à figura do padre espiritual, dando um manto e colocando flores no seu tumúlo e assistimos a uma reza feita a ele. De coração aberto saímos e benzemo-nos, pois acreditamos que todos temos o mesmo Deus, apenas o tratamos e materializamos de maneiras diferentes e com nomes diferentes.

Agora, estávamos prontos para ver o resto desta cidade-monumento e o resto do Rajastão.

Fiquem com esta fotografia, onde encontrámos estes meninos que vinham da escola e nos pediram canetas e lápis para os seus estudos. Aqui fica eternizado o momento.

JAIPUR

 Tinhamos um comboio para irmos de Agra para Jaipur, mas acontece que esse comboio estava atrasado qualquer coisa como 6 horas e nós não tinhamos como esperar esse tempo. Por isso, fomos arranjar uma solução: falámos com uns ingleses que também estavam a querer ir para Jaipur e os 4 alugámos um taxi para irmos até Jaipur e assim foi. 4 horas de viagem durante a noite em estradas com pouca ou nenhuma iluminação. Mais uma aventura para contar…

Chegámos a Jaipur, a cidade cor-de-rosa. A Mafalda começou a ficar doente e estava com febre, algo normal devido aos ar condicionados no máximo. Assim chegámos ao hotel e ficámos essa noite e o dia seguinte a descansar e a recuperar, o que também foi óptimo porque já eram muitos dias sempre a andar de um lado para o outro.

No dia seguinte fomos visitar Jaipur e usámos as vestes tradicionais que tinhamos comprado em Agra.

A Mafalda com o seu saree e eu com as calças ali-baba e a reacção das pessoas ao verem-nos foi incrivel. As senhoras queriam ajudar a Mafalda com o seu saree e todos queriam tirar fotografias connosco, parecia que se sentiam orgulhosos de estarmos a vestir algo da sua tradição.

 

 

Houve uma altura que as pessoas deixaram de visitar o monumento em que estavam para fazer fila e tirarem fotografias connosco, foi uma experiencia generosa da sua parte e, realmente inesquecivel. A cidade cor-de-rosa está à vossa espera nas nossas fotografias!

 JODHPUR

A caminho de Jodhpur tivemos a experiência talvez mais horrível da nossa vida, mais extrema de certeza. Aí vamos.

 

Depois de corrermos entre carruagens e mais carruagens, lá descobrimos a nossa. Conseguíamos perceber que as condições se iam deteorando de carruagem para carruagem… até chegar à nossa.

 

Via-se mulheres e crianças à porta da nossa carruagem, e houve uma que nos chamou mais a atenção porque estava a dar de mamar ao seu filho naquela espaço de transição e com a ajuda dela conseguimos arranjar espaço para entrar.

Só Homens.Tudo parou à nossa passagem.Um cheiro e um ambiente indescritíveis.

Entrámos na carruagem horrivel e encontrámos o nosso lugar, logo percebi que ia ser uma viagem complicada porque enquanto andava, percebia o medo de estarmos ali 5 horas. O nosso compartimento que era para 8 pessoas tinha entre 12 a 14 pessoas e à medida que o tempo passava mais e mais homens vinham ver a turista de saree. Estamos a falar de a determinada altura estarem 60 homens num espaço de 6m2 todos a olharem para a Mafalda e eu sem saber o que fazer.

Uma mão na Mafalda, um pé numa mala, e um pé na outra e a outra mão pronta para o que desse e viesse. Graças a Deus, nada se passou, mas podia ter acontecido porque perante aquela situação se houvesse uma mente má, como parecia devido aos comentários feitos e às atitudes, estariamos em maus lençois. Mas, no fundo, são estas situações que nos tiram da nossa zona de conforto e nos levam a evoluir. Um dia quando escrever um livro, contarei melhor esta situação de certeza…

Depois da viagem atribulada, chegámos, finalmente, a Jodhpur.

A cidade Azul, como é mais conhecida, foi uma excelente experiência. Fizemos um safari de culturas e animais e uma visita Tuk-Tuk pela cidade, onde vimos os locais mais importantes.

A primeira comunidade que visitámos era muçulmana e vivia do trabalho em barro e das ajudas dos turistas. Vimos o trabalho no momento com grande perfeição e força. A Mafalda até experimentou porque o senhor estava completamente encantado com ela. Já eu queria imenso trabalhar o barro, mas não tive essa sorte…

Voltámos ao jipe do safari e vimos alguns animais, mas nada que merecesse um safari, o que mereceu mesmo foram as comunidades que vimos mais de perto. Isso sim valeu a pena!

A segunda e última comunidade, tinha uma história muito interessante: eram defensores da Natureza, vivendo do que

Ela lhes dá, sendo a Agricultura o seu único meio de subsistência desde sempre. Assistimos ao ritual de comemoração desta comunidade que começava com as boas-vindas ao convidados e o patriarca da comunidade fez-me um turbante. Depois mostrou-nos os cereais que cultivavam e fez as suas rezas.

Rituais terminados, estava na hora de conhecer as condições em que eles viviam. Eram habitações muito muito precárias, já feitas em tijolo mas pior que uma favela mesmo. Mas foi aqui que vimos um momento inesquecível. Uma mãe a dar banho ao seu filho e ele cheio de alegria, adorando aquela água com sabão que vinha de um balde velho metálico. Sem condições mas com a capacidade de ser feliz em momentos tão simples. Foi isso que aprendemos de verdadeiramente importante em Jodhpur.

O passeio de Tuk-tuk foi interessante e também aconselhamos porque se consegue ver a cidade de miradouros incriveis e monumentos lindos, mas o que fica na memória para sempre será o riso daquele rapaz e o brilho nos olhos da sua mãe, isso sim ficará para sempre. 

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